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IDEB 2025 | Municípios parceiros superam indicadores e evidenciam os impactos da formação continuada

Publicado em 06 de agosto de 2026

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A combinação entre planejamento pedagógico consistente, monitoramento contínuo e formação profissional das equipes de ensino voltou a mostrar resultados concretos na educação pública baiana. Entre os municípios atendidos pelo Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (ICEP), mais de 30 registraram crescimento no IDEB em relação ao ciclo anterior, aferido em 2023.

O ICEP é uma Organização da Sociedade Civil (OSC), formalizada em 2006, que atua com redes municipais de ensino, visando promover a melhoria das aprendizagens de estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Atualmente o ICEP atua em mais de 30 municípios da Bahia, com parceria técnica com as secretarias municipais de Educação e parceiros que aportam recursos na educação.

Na Chapada Diamantina, onde o ICEP nasceu, 83% dos municípios parceiros estão acima da meta. Neste cenário, destaca-se municípios como Itaetê, Ibicoara, Lençóis e Marcionílio Souza, cujo crescimento de uma edição para outra foi superior a 1 ponto na proficiência.  Seis municípios têm resultados acima da média nacional e 13 estão acima da média estadual.

Neste território, 82% dos municípios parceiros avançaram nos resultados de aprendizagem no comparativo de 2023 e 2025 nos anos finais. Dentre os 17 municípios que estão ou estiveram na parceria com o ICEP nos anos 2025 e 2026, 13 apresentaram melhores resultados de aprendizagem.

Esses dados mostram que a maioria dos municípios ampliou significativamente seus indicadores nessa etapa, historicamente mais complexa. Esses resultados reforçam a importância da continuidade das ações formativas, do acompanhamento pedagógico e da articulação entre gestão educacional e escolas para consolidar e ampliar os avanços alcançados.

No conjunto de municípios que integram o projeto Educação Continuada, promovido pela Bracell, por meio do programa Bracell Social, 10 registraram crescimento no IDEB em relação ao ciclo anterior, aferido em 2023: Alagoinhas, Aramari, Araçás, Aporá, Cardeal da Silva, Cachoeira, Conde, Entre Rios, Itanagra e Ouriçangas. Já Terra Nova e Inhambupe mantiveram os resultados alcançados na edição anterior.

O município de Aramari, por exemplo, apresentou uma das trajetórias mais consistentes do território. Evoluiu de 5,1 no IDEB de 2023 para 5,7 em 2025, superando de forma significativa a meta projetada de 4,8. Os maiores avanços absolutos foram registrados por Cardeal da Silva e Aporá. Cardeal da Silva ampliou seu IDEB em 1,5 ponto, enquanto Aporá apresentou crescimento de 1,4 ponto entre 2023 e 2025. Esses municípios, que anteriormente figuravam entre os menores índices do território, alcançaram uma evolução expressiva em apenas um ciclo avaliativo.

Outro aspecto relevante refere-se ao cumprimento das metas projetadas. Araçás, Cardeal da Silva e Ouriçangas atingiram ou superaram as metas estabelecidas para o período, demonstrando que o planejamento educacional associado ao monitoramento permanente dos indicadores pode produzir resultados concretos. Araçás alcançou IDEB de 5,4 diante da meta de 5,2; Cardeal da Silva atingiu 5,4 para uma meta de 5,1; e Ouriçangas obteve exatamente o índice previsto de 5,0.

De forma geral, a análise do IDEB 2025 evidencia um cenário bastante positivo para as redes de ensino parceiras do ICEP. O crescimento da maioria dos municípios, a ausência de regressão nos indicadores, a superação das metas projetadas por parte das redes e a ampliação do número de municípios com desempenho acima da média estadual demonstram que o investimento contínuo na formação das equipes educacionais, na gestão da aprendizagem e no uso pedagógico dos dados tem contribuído para a melhoria dos resultados educacionais, destacando a redução das desigualdades.

O que o Ideb não nos informa?

Embora o Ideb apresente uma boa visualização da progressão dos municípios em relação às metas de aprendizagem estabelecidas pelo país, os dados não podem ser lidos isoladamente para evidenciar a qualidade da educação nos municípios.

O ICEP entende que as metas são importantes para direcionar o planejamento educacional e monitorar a evolução dos índices de educação de cada município. Mas o instituto reforça que é necessário considerar outras dimensões do processo educativo. “A rede de ensino precisa fazer uma análise minuciosa dos dados que compõem o indicador, por não refletir dimensões essenciais da educação básica, como a qualidade do ensino desenvolvido em sala de aula, as condições de infraestrutura das escolas, a qualidade da formação dos profissionais, os dados de equidade e a gestão escolar”, defende a  Coordenadora Pedagógica Territorial, Ana Falcão.

Um olhar para além dos números

Para entender melhor o desenvolvimento do nível educacional de cada município, é preciso olhar para além dos números. Dados sobre equidade são fundamentais nesse processo de avaliação, pois indicam as desigualdades por raça, renda, gênero, localidade ou condição de deficiência, além da infraestrutura, recursos e apoio pedagógico ofertado.

Outro ponto destacado que merece observação é a evolução individual das/os estudantes ao longo de toda a escolaridade, não focando apenas em momentos pontuais de avaliação. “Precisamos avaliar as metodologias, práticas pedagógicas, projetos curriculares e proposta educacional de cada escola/sala de aula, a qualificação dos profissionais e a progressão individual das aprendizagens de cada estudante. São esses fatores que realmente mostrarão o nível de desenvolvimento educacional”, defende Ana Falcão.

Qual o segredo da melhoria das aprendizagens?

Para garantir resultados efetivos e sustentáveis ao longo dos anos, o segredo, segundo Ana, “é articular o trabalho da gestão da sala de aula com a gestão escolar e com a gestão do sistema de ensino”. “Para isso, é fundamental o fortalecimento da política de formação continuada, para que tenhamos profissionais bem qualificados, que promovam boas situações de ensino que rompam com aplicação de atividades mecanicistas e que não contribuem para a aprendizagem dos estudantes, especialmente que desenvolvam a leitura compreensiva e crítica”, frisa.

É justamente esse trabalho que vem sendo desenvolvido no âmbito do Projeto Educação Continuada nas redes parceiras. Além da formação continuada em serviço, da mobilização social e da produção de conteúdos pedagógicos promovidos nas redes municipais de ensino, nos últimos anos os municípios vêm desenvolvendo e implementando a produção de materiais didáticos de formação, ensino  e avaliação — as Situações Didáticas Avaliativas (SDAs).

As SDAs são atividades formativas e avaliativas, desenvolvidas em sala de aula, que tem a intenção de analisar e avaliar os saberes construídos pelas/os estudantes, ao longo do ano. São realizadas duas vezes ao ano e servem, também, como instrumento formativo para o professor e para as/os estudantes.

Os resultados das atividades desenvolvidas são tabulados em um sistema de dados que oferece às redes municipais informações detalhadas acerca das aprendizagens de cada estudante, escola e município, permitindo um acompanhamento personalizado e individualizado de cada estudante .

“As Situações Didáticas Avaliativas, diferentemente das avaliações externas, possibilitam  avaliar as aprendizagens essenciais de oralidade, intercâmbios comunicativos entre os estudantes e produção de texto em situações sociais e significativas de uso da linguagem. Avaliam também conhecimentos matemáticos fundamentais para a prática cidadã. Essa forma de avaliar e considerar a aprendizagem dos/as estudantes, reafirma que é possível pensar uma avaliação para além de políticas que reduzem a experiência escolar a frios índices”, destaca a Diretora  Pedagógica do ICEP, Elisabete Monteiro.

Progresso individual de cada estudante

Diferentemente das avaliações em larga escala, que têm como objetivo identificar o desempenho dos estudantes, as SDAs permitem que professores acompanhem o progresso individual de cada estudante em relação aos objetivos de aprendizagem estabelecidos pelo currículo. Esse acompanhamento possibilita o planejamento de intervenções pedagógicas que proporcionem avanços nas aprendizagens dos estudantes.

Por meio das SDAs é possível identificar as necessidades específicas das/os estudantes, e desse modo, proporcionar o planejamento de outras situações didáticas que ofereçam as condições necessárias para que haja a progressão das aprendizagens.

Essa proposta metodológica rompe com a dicotomia que separa a formação, ensino e avaliação e proporciona uma cultura de aprendizagem contínua que auxilia as educadoras e os educadores  a repensarem e ressignificarem suas práticas profissionais a fim de atender às necessidades de aprendizagem das/os estudantes.

Caminho para a redução das desigualdades

O novo Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece a meta de 6,5 para os anos iniciais do Ensino Fundamental e de 6 a ser alcançada pelos anos finais, junto a isso garantir alfabetização plena de estudantes ao final do segundo ano e também reduzir as desigualdades.

O ICEP tem atuado junto aos municípios parceiros no apoio ao desenvolvimento das metas dos seus Planos Municipais de Educação (PME), que devem atender aos objetivos e metas do Plano Nacional, garantindo que aconteçam de forma participativa e democrática pelos representantes das redes de ensino e pela sociedade.

Saiba mais sobre o Ideb

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é um dos principais do país para medir a qualidade dos ensinos fundamental e médio, abrangendo as redes pública e privada. O Ideb é calculado a cada 2 anos, a partir dos dados sobre o desempenho dos estudantes em avaliações de Matemática e Português, e a taxa de aprovação escolar.

Criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC), o indicador tem entre os seus propósitos fazer um diagnóstico das redes de ensino no Brasil, servir como base para políticas públicas e traçar metas de qualidade educacional.

O resultado do Ideb é uma média da combinação de outros dois indicadores: o fluxo escolar, ou “taxa de aprovação”, e o resultado dos estudantes nas avaliações de larga escala, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Os dados de desempenho escolar, também chamado de proficiência, são levantados a cada 2 anos, para os estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio, que são avaliados pelas provas do Saeb em Leitura e Matemática. Já os dados sobre o fluxo escolar, são verificados a partir do Censo Escolar da Educação Básica, realizado anualmente.

Desta forma, apresentam melhores resultados no Ideb os sistemas que alcançam, de forma concomitante, maiores taxas de aprovação e proficiência nas avaliações. O MEC estabeleceu metas de longo prazo para o Brasil, próximo ao desempenho médio dos países desenvolvidos.