Instituto Chapada de Educação e Pesquisa celebra 20 anos de atuação

O Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (ICEP) vai reunir colaboradores, parceiros, autoridades, educadores, especialistas em educação e representantes da comunidade hoje (18.11.2017), às 19h, no Chapada Hotel, no município de Seabra/BA, Chapada Diamantina, para celebrar os 20 anos da organização. Na oportunidade, será lançado o Álbum Biográfico, uma publicação que registra momentos marcantes da história da organização.

O ICEP contou com a parceria do Instituto C&A para a produção de livro e do infográfico que sistematiza a metodologia da instituição. “Somos muito gratos ao Instituto C&A, sem essa parceria não teríamos conseguido produzir esse material importante, que sistematiza a metodologia e registra momentos fundamentais da nossa história”, destaca a diretora-presidente do ICEP, Cybele Amado.

Fruto de um trabalho de planejamento estratégico para ganho de escala, a rede de municípios parceiros do Instituto foi ampliada. Em 2015, teve início a atuação na capital baiana, com a Formação do Território Colaborativo pela Educação de Salvador, composto por dez regionais. Em julho deste ano a parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SMED) foi renovada e o ICEP começou uma nova etapa do Nossa Rede – Projeto Pedagógico de Salvador, que tem o propósito de melhorar a aprendizagem dos alunos da rede municipal de ensino.

“Adaptar nossa metodologia e tecnologia para um município de grande porte foi um desafio enriquecedor”, explica a diretora-presidente e CEO do ICEP, Cybele Amado. Um dos destaques do trabalho do ICEP na capital baiana foi a produção dos cadernos pedagógicos de Língua Portuguesa e Matemática, do Ensino Fundamental I, construídos em 2016, de maneira colaborativa com os educadores da rede municipal. Além da primeira experiência com a Plataforma Digital Nossa Rede, para a dinamização do trabalho com a rede escolar de Salvador.

Entre os marcos do ICEP em 2017, além da celebração dos 20 anos do Instituto, está a Formação do Território dos municípios de Camaçari e de Vitória da Conquista, na Bahia. “E ainda temos muito a fazer: o ganho de escala e a adoção das novas tecnologias para ampliar o trabalho estão em nosso planejamento”, ressalta Cybele Amado.

Na última segunda-feira (13.11), o ICEP realizou o Seminário Territorial de Sensibilização e Mobilização, para gestores escolares, coordenadores pedagógicos, professores e equipes técnicas da Secretaria da Educação de Camaçari (Seduc). O encontro se estendeu até terça-feira, a fim de atender aos educadores e gestores de escolas da sede e da orla. “O futuro do Icep é fazer cada vez melhor aquilo que sabe: caminhar com os municípios e ajudá-los a implementar políticas de formação continuada de professores na Bahia, no Nordeste e no Brasil”, enfatiza a CEO do Instituto.

Elisabete Regina Monteiro foi uma das quatro integrantes do primeiro grupo de formadoras do Projeto Chapada. Ela era professora em Salvador quando foi chamada a colaborar com a formação de colegas de municípios do interior do estado. Desde essa época, Bete “aprendeu a aprender” com os profissionais com os quais se relaciona: “Devo a cada um tudo o que sei”. Com isso, revela dois princípios marcantes da instituição. O primeiro é a crença de que ninguém é dono de todo o conhecimento; por isso, não há transmissão, mas construção do saber. O segundo: de que é na relação entre pessoas – entre os formadores e entre eles e os alunos – que todos aprendem. Atualmente, Bete é diretora pedagógica do ICEP e coordena o Território Salvador.

Onde tudo começou

A semente foi plantada em 1992, pela recém-formada professora Cybele Amado de Oliveira, que deixou Salvador decidida a contribuir para mudar a realidade da única escola de Caeté-Açu (conhecido como Vale do Capão), distrito do município de Palmeiras. A infraestrutura precária, a falta de apoio aos professores e a ausência de orientação às famílias comprometiam o desempenho dos estudantes, que não evidenciavam aprendizagem adequada à série/ano de escolaridade.

Cybele prestou concurso para tornar-se professora no Vale do Capão depois de tomar contato com o cenário devastador da educação naquela localidade. A visita à escola do distrito ocorreu num período folga, ela foi passar o Carnaval na Chapada e ali descobriu que podia fazer algo para mudar aquela realidade. Passou a ficar famosa por ensinar ao ar livre, para fugir dos percalços que os buracos no telhado da escola causavam.

Da vivência na sala de aula veio a certeza de que era preciso investir na formação de professores. Junto com a Associação de Pais, Educadores e Agricultores de Caeté-Açu, Cybele esboçou o Programa de Desenvolvimento e Auxílio ao Professor e o inscreveu no Programa Crer para Ver, da Natura Cosméticos e da Fundação Abrinq, em São Paulo. Durante dois anos, os professores da rede municipal de Palmeiras se encontraram uma vez por mês para discutir didática, tanto da alfabetização como de outras disciplinas dos primeiros anos do Ensino Fundamental.

Palmeiras/BA reduz índice de evasão em 80%

Secretária de Educação de Palmeiras à época em que o Programa de Desenvolvimento e Auxílio ao Professor foi implementado, Maria Rozalina de Oliveira Rôla entusiasmou-se com o que começou a acontecer nas escolas da rede e investiu nas propostas inovadoras, principalmente na criação do cargo de coordenador pedagógico: “Percebemos que, sem esse profissional, a educação não sairia do lugar”.

Com dois anos de formação continuada feita pelas educadoras do programa e mantida pela coordenação pedagógica nas escolas, o município reduziu o índice de evasão em 80% e o de repetência em 70%. Com esses dados em mãos e a notória motivação dos professores, a secretária tornou-se uma espécie de “garota-propaganda” do Programa. Divulgou os resultados a outros prefeitos e secretários de Educação e incentivou-os a participar da fase seguinte, na qual a formação se estenderia a outras localidades vizinhas a Palmeiras.

Uma iniciativa de formação como a que acontecia em Palmeiras não poderia ficar restrita a um só lugar. Afinal, os municípios da Chapada Diamantina precisavam de uma ação enérgica: o índice médio de analfabetismo das turmas do 2º ano – antiga 1ª série – da rede pública de toda a região chegava a 77%. O Programa Crer para Ver novamente foi o patrocinador da expansão. “Para continuar a parceria, escolhemos um projeto que estava fazendo diferença na comunidade e com uma liderança capaz de sustentá-lo”, afirma Guilherme Leal, presidente da Natura Cosméticos.

Na segunda fase, secretários municipais de Educação de 12 cidades somaram energias e recursos para escrever e materializar as diretrizes de um novo programa de auxílio ao professor, agora batizado de Projeto Chapada. Os encontros dos secretários foram agendados para acontecer mensalmente, cada vez em uma cidade. Foi num deles que nasceu o bordão que marcaria toda a trajetória do Icep: “Lendo o mundo para escrever a vida”.

Sobre o ICEP

O Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (ICEP) é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para tornar realidade o sonho do acesso universal à educação pública de qualidade. Sua atuação tem como princípio um modelo inovador enquanto tecnologia social, desenvolvido pelo próprio Instituto e batizado como Territórios Colaborativos pela Educação.

Com sede no município de Seabra, na Chapada Diamantina, e escritório de apoio em Salvador, o ICEP ancora sua metodologia na formação continuada de educadores, aliada à mobilização social pela educação. Ao longo de mais de 20 anos de história, o Instituto construiu sólida expertise na Formação de Equipes Técnicas, Coordenadores Pedagógicos, Gestores Escolares e Professores; na Gestão da Aprendizagem e Redes de Ensino; na Produção e Sistematização de Conhecimento; e na Mobilização de Atores Sociais e Políticos. Tudo isso é feito com participação ativa dos municípios parceiros, que são estimulados a planejar e atuar em conjunto, dentro de uma perspectiva territorial.

Núbia Cristina
Analista de Comunicação – ICEP
(71) 3052-0901/ 99197-7494
Email: nubiacristina@institutochapada.org.br

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